Condescendências

Esta semana uma mulher arrojada para seu tempo completaria 93 anos. Mesmo arrojada em muito foi exatamente o que era esperado dela. Casou com 17 anos com um homem mais velho, membro das forças armadas. O máximo do casamento, especialmente próximo da metade do século XX. Suportou traição calada por muitos anos.

Afinal a sociedade considerava que as mulheres não tinham as mesmas necessidades dos homens e manter a família unida, a casa impecável e o marido feliz era o propósito de vida de toda boa dama. Pois em dado momento ela não aguentou mais e na década de 60 se divorciou. Um escândalo.

Recebia em seu apartamento em Copacabana amigos, especialmente músicos, para noitadas de MPB e Bossa Nova. Auge da Cidade Maravilhosa. Efervescência social do Brasil. Tempos de extremo preconceito.

Ela mesma muito preconceituosa em relação à raça, à classe social, à homosexualidade. “É negro, mas é limpinho” “Mas caga na saída”; “É pobre, mas é honesto” “Mas não dá pra confiar”; “Apesar de ser mulher até que é capaz” “Mas não vai dar conta”.

Como se processa na gente o que determina preconceito? Como somos condescendentes em algumas questões e tão determinados em relação a outras? O brasileiro certamente seleciona as conveniências. Mudamos nossas convicções conforme elas nos privilegiem ou não.

O problema são as pessoas que não têm essa possibilidade, não tem escolha, não têm privilégios. Mês da Mulher não é mês de parabéns ou de condescendências. Deve ser mês de alerta.

Mês contra preconceitos. Todos!

Por Simone Lima

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