Ayne – Reflete

Privilégio

Recebo notícias da filha viajando. Ela está com uma amiga fazendo um mochilão. Fico feliz de receber boas novas, elas se divertem e se encontram hospedadas num hostel bonitinho, segundo elas. Como mãe, fico preocupada. Penso na hospedagem, em estarem num lugar sem conhecer ninguém (esse é um dos propósitos, não é?), em assédio…

É da minha natureza pensar nos meus filhos como responsáveis por si mesmos. Acredito que o que melhor me cabia foi feito em tempo devido e hoje acompanho o quanto se desenvolveram. Quando pequenos costumava dizer a eles que nenhum era responsável pelo outro (eles têm 1 ano e 8 meses de diferença), cada um era responsável por si e um ajudava o outro. Sei que essa lição valeu. Mas vejo minha filha distante, no “mundo” e eu não posso fazer nada imediatamente se ela precisar. Preciso confiar. Esse pensamento me leva a pensar em segurança. Claro, nenhum de nós está completamente seguro seja onde for, mas minha filha é branca, loira e de olhos azuis.



Tenho noção de que ela está mais segura do que a maioria dos jovens em suas viagens pelo mundo. Que mundo injusto ao considerar que a cor de pele, a nacionalidade define alguém como melhor ou pior. Que tristeza os jovens não poderem ser apenas jovens desbravadores do mundo e ter experiências justas conforme seguem seus caminhos. Esse mundo precisa ser um lugar de habitar coletivo. Não é apenas o circulo que nos rodeia que importa. É sim saber que há água para todos, que uma cama espera por todos no fim de um dia, Que olhares de desprezo ou de preconceito não será lançado aos nossos filhos, onde quer que estejam. Que todos tenham o direito e o prazer de desbravar e aprender suas lições de diversidade e respeito.

Por Simone Lima

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