Ayne – Reflete



Tenho 55 anos, separada a quase 4 anos. Conheço muitas mulheres mais novas que eu ou da mesma idade separadas. Estava no trecho de um romance, que como muitos a mulher separada dá sua volta por cima pra viver a própria vida, enquanto o homem antes de qualquer volta encontra outra mulher. Fiquei pensando como isso é o praxe. Não que tenhamos que nos vincular a praxes, ou convenções ou o que se espera, etc., etc. Mas na verdade o que fiquei pensando foi como esse é o trajeto mais comum.

O que acontece?

Somos mais maduras e precisamos primeiro nos vermos sobre nossos próprios pés, nos erguermos sozinhas, precisamos sentir a força de nós mesmas pra tocar a vida?

Somos na verdade “auto comiseradas” e acreditamos que se não nos quiseram mais ou não nos respeitaram o suficiente o que merecemos é um período de solidão – castigo – até acreditarmos em nós mesmas?

Nem uma coisa, nem outra, apenas deixamos de ouvir os apelos entre as pernas e tentamos nos recompor, compor?
Eu, casada uma vez e por muitos anos, mas com um certo número de namorados antes do casamento, nunca acreditei que passar automaticamente de um relacionamento pra outro me beneficiaria. Muito pelo contrário, sempre confiei que precisaria enxergar meu eu novamente pra começar uma história nova. Querendo ou não um relacionamento de
certo tempo – saudável, especialmente – provoca uma experiência de não agir sozinho; quem ama pensa no outro, divide com o outro, não age simplesmente com causa própria.

Isso posto, o que me levou a chegar aqui? Certa inveja!
Como eu queria ligar o dane-se. Mas sabe, não dá. Até já experimentei, mas não funciona. Me amo e cuido muito de mim. O risco de ter o prazer pela metade, doar só um pedacinho, receber migalhas, não consigo. Fico murcha, me sinto tão vazia.
Então a gente cuida dos apelos entre as pernas por conta própria, mexe o caldeirão, faz faxina na alma e deixa a vida seguir. Olhando pros lados sim, nada de deixar passar as alegrias, os esforços que nos fazem melhores.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *