Homens trans: A visibilidade dando espaço ao direito a vida

Dia 29 de Janeiro se comemora o dia da Visibilidade Trans, podemos aproveitar para falar um pouco sobre o tema, mais especificamente sobre Homens Trans.

– Nem todo homem trans é heterossexual. A sexualidade não tem ligação com o gênero, ou seja, homens trans podem ser gays, hétero, bissexuais, etc.
– Nem todo homem trans reproduz os padrões de masculinidade, isto é, existem homens trans que são afeminados e isso não invalida que ele possa reivindicar gênero e pronomes masculinos.
– Nem todo homem trans quer/precisa/pode fazer a mamoplastia masculinizadora (retirada da glândula mamária e o reposicionamento da aréola) e/ou hormoneoterapia.
– Homens trans podem engravidar, parir e se tornarem pais sem necessariamente uma outra pessoa gerar essa vida.

Sabemos que as travestis e mulheres trans conseguiram aos poucos conquistar seu espaço na sociedade enquanto militância, no entanto, fala-se pouco sobre homens trans. Essa invisibilidade social faz parte da transfobia institucionalizada, que gera uma dificuldade maior de acesso a saúde (que muitas vezes é nula, quando não existem profissionais preparados para atender essa população), educação (devido a evasão escolar) e também a falta de acolhimento no seio familiar (desde o não reconhecimento da identidade de gênero, até expulsão ou estupro corretivo).

O resultado dessas violências é a principal causa da alta taxa de suicídio entre jovens transgêneros (idade de 11 a 19 anos), em especial homens trans, que representam 50,8%, ou seja mais da metade das vitimas, segundo estudo realizado entre 2012 e 2015 chamado “Transgender Adolescent Suicide Behavior (Comportamento Suicida do Adolescente Transgênero)”. É importante ressaltar que essas taxas vem aumentando gradativamente levando a um numero bastante preocupante de suicídio atrelado especificamente a homens trans.

Dito isso, o dia 29 de Janeiro não é ligado apenas ao nosso orgulho por existir e resistir, mas também o dia que marca simbolicamente aonde acaba a invisibilidade e começa o direito a vida.

* Bernardo Gael Duarte, homem trans, 27 anos, coordenador do Núcleo Rio Grande do Norte do IBRAT (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades)

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