Mas quem é essa menina?

Num ano em que, enquanto casa, escolhemos falar sobre identidade, achei necessário me apresentar. E a primeira coisa que queria dizer sobre isso é que eu não sei qual é minha identidade. Lembro o número que decorei porque tenho que recitar quase que diariamente, mas quanto mais penso no que é que me identifica, mais percebo que uma lista de coisas não é suficiente para resumir quem eu sou.⠀

Mãe de um paulista, soteropolitana, nordestina, loira, filha de uma gaúcha e um baiano, que estudou psicologia, gosta de dançar mas não tem feito muito isso, talvez seja workahollic, não costuma sofrer com saudade, mas sabe bem o que faz falta…⠀

Identidade é uma palavra complexa. Tanto pode servir para nos fazer sentir parte como para nos diferenciar. Ultimamente tenho preferido pertencer mas admito que gosto da singularidade. ⠀

Como psicóloga, posso dizer que a construção, desconstrução, reconstrução da nossa identidade é talvez o que mais nos ocupa enquanto profissionais. ⠀

Como pessoa, reconheço que o processo de enxergar, descobrir, refazer, desconstruir as imagens que criei e que criaram de mim tem sido a dor e a delícia de todos os meus dias. ⠀

Essa foto foi tirada pelo meu filho, em um dia que passeamos pelo beco do batman. Um dia em que eu pus a câmera na mão dele porque ele sempre gostou de fotografar. Talvez isso faça parte da identidade dele, mas quem sou eu para determinar isso. Ele vai ter oportunidade de se descobrir. ⠀

Mas essa foto fala muito sobre mim. Fala sobre a mulher, artista que estava desejando abrir-se para o mundo em um tempo que se sentia tolhida. É uma foto de alguns anos atrás, mas que me remete sim a minha própria identidade. ⠀
Por Duda Dorea

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