Não é Engraçado, Não é Desculpável

Num papo coma Duda e a Kátia, falávamos de educação anti racista e pensei em aproveitar o último domingo de junho na minha fala pra dividir pensamentos sobre preconceito.

Lembro muito bem de quando criança e adolescente ouvir falas de pessoas racistas na minha família. Da mesma forma as piadas de “bixa”, bem como de judeus. Achava engraçado até parar de achar. Não sei bem quando parou de soar gozado. Provavelmente foi gradual.

Sou do tempo que homossexualismo ainda era considerado doença. A OMS mudou isso somente na década de 90.
Meus livros de história na escola falavam de índio preguiçoso e, inclusive por isso foram trazidos os negros pra trabalhar no Brasil. Também ensinavam que os europeus colonizaram o mundo pra “civilizar” os povos. Me ensinaram isso na escola! Prestei provas tendo que escrever isso!!!!

Já nessa época não encarava essa doutrina muito bem. Me lembro de na 5a. Série ( hoje 6o. Ano), discutir com uma professora sobre as chacinas indígenas e quase ser expulsa da sala de aula.

A gente cresce e vai escolhendo quem se quer por perto. É certo que não podemos escolher a todos, mas certamente a quem somos bem próximos. Gente muito preconceituosa não faz mais parte do meu dia a dia.

Ainda preciso policiar uns pensamentos e falas que me reportam àquela criança que repetia o que ouvia sem filtro. Que bom que cada vez isso é mais raro. Agradeço aos meus filhos por me avisarem por vezes. Agradeço ao meu trabalho e às gurias que trabalham comigo que me fazem vivenciar o valor das pessoas.
A gente precisa sim dizer às pessoas que a piada não tem graça. Se ela ficar ofendida ou sem graça o problema é dela. E quem sabe ela pensa duas vezes antes de contar a piada de novo. E quem sabe à diante ela não pensa em corrigir alguém que faz piada do que não é, de forma nenhuma, motivo de piada.

Por Simone Lima

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