POESIA QUARENTENA

Quarenta dias que viraram quinze
Quinze que poderão ser meses
Isolamento social, carnal e visceral
Cadê a vacina para combater esse mal

Ciência que nunca foi respeitada
Pesquisas que nunca foram endossadas
Finanças que vão para moda e supérfluos
E as emergências despertam

Não temos ventilação mecânica para acolher nossos indefesos
A Doença pode ser mortal
Alastra-se pela comunidade
Será que temos que aprender algo com a destruição da natureza pela humanidade?

A guerra chega do mundo invisível
Nem os credos e religiões podem se agrupar
O convite no momento é simplesmente para se isolar
Enquanto médicos e enfermeiros estão na linha de frente
Decidindo quem morre no meio de tanta gente
Somos privilegiados, dentro de nossas estruturas
Entediados e salvos
Correndo riscos e desprevenidos
Na rua ou em seus lares
Mas certos de que tudo está voando pelos ares

Aplausos pelas janelas,
Panelaços combatendo a política
Aniversários festejados pelas varandas
Ensinos à distância e comércios fechados

Estamos abertos para uma nova realidade
Pela força de uma guerra que nos paralisa
Viralisa
Não sabemos mais qual será a próxima página dessa história
Mas as marcas deixam sangue, dores e mortes
Corações se rompem sem tempo de uma despedida
Teremos a partir de agora uma nova vida.

Vivian Goldmann 02/04/2020

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